quarta-feira, 8 de julho de 2015

Alguns autores me remetem a certos cenários particulares. Ler Machado de Assis, por exemplo, me leva a uma conversa com ele como entre comadres: E aí Machado? Capitu traiu ou não traiu? Confesso que gosto mais dos contos. Adorooo! E Machado foi alguém que li muito por obrigação na adolescência e que descobri de forma prazeirosa um pouco mais tarde. Existe Machado em áudio e até no carro ele me acompanha. Experimentem, é maravilhoso.
Rubem Alves, me apaixonei de verdade depois que fui a uma palestra dele. Hoje nós somos íntimos dentro do meu cenário particular rs. Ler as crônicas dele me remete um bate papo de fim de tarde, e nem sempre concordo com tudo que ele aborda, mas acho divino sua maneira poética e simplista de abordar os assuntos. Este livro tem trechos maravilhosos, mas por ser uma reunião das " melhores crônicas", tem muitos textos batidos de internet. E estes textos que rolam muito na internet, por mais que sejam lindos, cansam igual música de novela. Escolhi um trecho que ainda não está rolando por aí, da crônica "Se é bom ou se é mau..."
" A estória da Branca de Neve não aconteceu nunca, mas todos nós somos, sempre, uma Madrasta que se vê triste diante do espelho, e manda a menina, nós também, para ser morta na floresta. A estória de João e Maria não aconteceu nunca, mas em toda criança existe uma fantasia terrível de abandono. A estória de Romeu e Julieta não aconteceu nunca, mas queremos ouvi-la de novo, pois dentro de nós existe o sonho do amor puro, belo e imortal. E é por isso que sou incuravelmente religioso, porque nas estórias da religião, que não acontecem nunca, os sonhos e pesadelos da alma se acham refletidos. Acredito porque sei que são mentira. Se fossem verdade, não me interessariam. "

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