terça-feira, 21 de julho de 2009

A BUSCA DO PRAZER

A luta constante com meus pacientes não é pela busca do prazer, mas onde este reside. Dependendo do grau de insatisfação, depressão, melancolia, fica difícil conceituar isso, enxergar, sentir. Até mesmo a baixa auto-estima leva a um boicote quanto a este “desfrute”.Muitos não se permitem e não se julgam merecedores desse tão almejado prazer.
O alvo de prazer ou felicidade pode mudar muito de acordo com a situação, o momento. A nossa fonte de prazer de ontem pode não ser a mesma de hoje. Isso faz parte do amadurecimento, das mudanças de foco e, até mesmo, da prioridade das futilidades que nos permitimos desfrutar.
Lendo o livro Manual do Hedonista, Dominando a esquecida arte do prazer, autor Michael Flocker , apreendi muitas coisas interessantes sobre o assunto. Flocker é enfático quando diz que o prazer não se limita a deitar em uma rede, não fazer nada mas “criar uma vida que seja ao mesmo tempo interessante e agradável” . Este prazer interessante e de qualidade não se trata de luxo, mas de necessidade, que deve ser vivida e desfrutada de forma saudável e concreta.
Ele faz uma crítica ressaltando que negar o lado sombrio não é saudável. É extremamente inútil, negar o que há de obscuro e feio em nos e nas situações, utilizando a expressão: “ser bom o tempo todo é artificial”. Eu concordo e acho que devemos sim dar vazão a nossos monstros antes que aprisionados eles se alimentem tanto dos nossos desejos maldosos e reprimidos que cresçam e, fugindo do nosso controle, causem estragos ainda maiores. E também situações nebulosas afinal, o sofrimento é nosso e não vale ficar pensando que o problema do outro é maior ou pior, devemos, sim, dar o devido valor a nossos problemas e chorar por eles, sofrer por eles e achar que é o fim do mundo sim...São nossos problemas e só nós entendemos a dimensão da dor que sentimos. Sofrer por eles ajuda a processá-los, a entendê-los, a arrancar a lição disso e seguir adiante com algo novo no coração, na nossa história.
Dentro deste mundo de prazeres que devemos desfrutar, é preciso não esquecer de não invadir o território alheio, não esquecer do respeito ao outro e lembrar que seu prazer não pode estar atrelado ao sofrimento do outro. O mundo é vasto e as fontes de prazeres também. Agradeço muito a troca que há entre meus pacientes e eu, agradeço a quem trouxe aos meus ouvidos um preceito budista que diz: “se vai faze algo que vai prejudicar o outro, não faça”. Sempre tive isso comigo de outra forma: “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você.” Então amigos, podem até se deleitar nos seus prazeres, mas não esqueçam da lei da causa e efeito, isso é milenar e real.
Agradeço ao paciente que trouxe este livro ao meu alcance e me permitiu ter acesso a pontuações que estavam meio bagunçadas na minha mente e que agora se organizaram. É assim que deve funcionar as relações doando e recebendo coisas boas e até as que não são tão boas e contribuem bastante para nosso crescimento afinal, tudo na vida tem seu lado claro e escuro.

RECOMENDO O LIVRO: MANUAL DO HEDONISTA, DOMINANDO A ESQUECIDA ARTE DO PRAZER.