segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Memória

Assisti novamente ao filme Brilho eterno de uma mente sem lembrança. Desde que assisti pela primeira vez, fiquei instigada a escrever algo. Ele é muito interessante e propõe muitas discussões em volta do assunto tratado.
Para quem não viu:
Sinopse
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento entre ambos desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.

Parece loucura, mas é bem real dentro da história de cada um. Diante de relacionamentos frustrantes e séries de decepções, deseja-se, muitas vezes, apagar algo que gostaria de não ter vivido, apagar da memória alguém que preferia não ter conhecido. Não se pode descartar a idéia de que o que se vive é sempre válido e, algum dia, tivemos bons olhos pra aquilo, algum dia aquilo teve sentido e foi importante, alguma coisa ganhamos, alguma coisa aprendemos.
Assim, construímos nossa história, com uma diversidade de pessoas que nos trazem alegrias e tristezas. A maioria das vezes, não agem como gostaríamos, mas o mundo é assim, feito de singularidades, e ninguém é igual a ninguém. Não podemos esperar do outro atitudes que tomaríamos porque a vida seria um seqüência de frustrações, cada um tem seus valores, suas crenças, suas escalas de prioridades. Devemos nos esforçar para sermos tolerantes diante do próximo e quando o fim (da relação) chegar, viver o luto da maneira mais doída, pois é a forma mais saudável de lidar com a situação. Tenha certeza que, quando chegar o fim do poço, aprenderá boas manobras para subi-lo. Então, não queiram perder seu histórico de memória em qualquer canto por aí, é um membro seu, talvez inativo, mas, algum dia, já foi muito útil. No filme, eles estavam tão cansados da fase ruim que estavam vivendo que foi preciso quase perder, ver que estava indo embora para lembrar que havia algo de bom. E aí segue em desespero por estar perdendo a memória, o que nos compõe, o que nos identifica como seres diferentes, singulares.

O que seria de nós sem nossas lembranças? É tão ruim quando algumas se apagam, muitas coisas foram trágicas no momento, mas arrancou boas risadas tempos depois. É tão bom ter o que contar, pois, por mais que seja triste, faz com que nos sintamos vivos, algo pulsa dentro de nós e molda, faz os contornos da nossa vida. Quando olhamos pra trás, não está vazio, não é oco. Pode até ser um castelo torto, mal acabado, mas é seu, é um pedaço da sua vida e não é igual à de ninguém, inclusive quem fez parte da sua história vai contar ela de forma diferente, são outro olhos, outros sentimentos investidos.



DEDICO ESTE TEXTO A TODOS QUE LAMENTAM UMA HISTÓRIA DO PASSADO...NÃO LAMENTEM, POR ALGUM MOTIVO AQUILO PRECISAVA SER VIVIDO.