terça-feira, 29 de julho de 2008

Um pouco de mitologia

Mitologia é uma de minhas paixões, preciosa e antiga, um conhecimento que comecei a adquirir lá pelos meus 16 anos. São tantas versões que fico até com receio de ler algo novo e diferir da que conheço: a primeira versão, à qual fui apresentada e envolvida.

Os deuses da mitologia grega são tão humanos que os adotamos como pessoas próximas, tão sujeitos ao nosso julgamento como parentes que fazem parte da nossa história. Assim tomamos partido de uns, odiamos e maldizemos outros.

Nesta semana, tive oportunidade de ressuscitar uma questão antiga e acho que não é só minha: Perséfone realmente se apaixonou por Hades? Eu sempre defendi que sim. Um livro, A Deusa Interior de Roger J. Woolger e Jennifer Barker Woolger, caiu em minhas mãos e eu descobri que a deusa que predomina em mim é Perséfone. Logo, poderia falar dela de cadeira.

De acordo com meu parecer, não há como não se apaixonar por Hades. Ele é misterioso e interessante, dono de um reino rico em símbolos espetaculares. Este reino de Hades é, nada mais, nada menos, que o inconsciente... ou seja, o mundo dos mortos pra uns. Lá, guarda-se o que muitos gostariam que estivesse morto... mas o que se defende da morte afinal? A TRANSFORMAÇÃO; o inconsciente e seus significantes na verdade são a chave para transformação do ser.

Hades assusta muitos porque nem todos têm coragem de descer aonde vivem os mortos, ao mundo do inconsciente e resgatar a parte dolorida da história, pisar no escuro, ultrapassar o véu, não saber o que pode encontrar. Desbravar o inconsciente é como morrer, transformar, nascer pra outro mundo e, até mesmo, libertar-se. Hades é rei nesse mundo... como não se apaixonar? Talvez Perséfone nunca se apaixonaria por alguém cujo habitat é tão obscuro e, por não ser tão acessível, realmente é sujeito a julgamentos alheios que o transformem em um monstro desconhecido. Ela precisou ser raptada e conviver de perto para entender e apreciar a beleza de Hades.

Talvez o papel do psicanalista seja este... passear entre os dois mundos (consciente e inconsciente), como Perséfone.